sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Internato dia 01

(escrito em 01 de janeiro de 2011)

Nenhum paciente. Nenhum Staff. Nenhum residente.

Você consegue imaginar? Um hospital universitário quase que totalmente vazio?

Nunca vi o hospital assim. Sem colchas, sem soro pingando, sem o barulho dos ventiladores gigantes da enfermaria.

Pois foi o que aconteceu. Não tinha ninguém, ou quase ninguém. Apenas quatro pacientes e montes de leitos vazios.

Isso me fez lembrar as ligações noturnas da central de leitos do município à Maternidade Escola, procurando, ou melhor, implorando por leitos, afinal se uma gestante morrer sem atendimento ela vira manchete, mas quem se importa com todos os outros que não vão aparecer na TV?

O Hospital Universitário está completamente abandonado. Ninguém sabe quem paga suas contas, ninguém sabe onde foi parar a emergência, faltam insumos. Será que esses são os únicos problemas?

Poderíamos culpar a política, o governo, tantas entidades. Dessas entidades que se comenta à mesa do jantar, que parecem tão distantes e levam sempre a culpa. Mas, para onde foram todos esses médicos, todos esses ex-alunos, todas essas pessoas que um dia passaram por aqui? Por que ninguém faz nada, por que ninguém nunca fez nada?

“Não é minha culpa”.”Não sou administrador”.”Eu mereço o dinheiro que ganho”.”Não me meto nessas questões”.

Eh, eu também não entendo.

Sai de casa como mais 82 alunos. Numa grande agonia. “Não posso me atrasar”. “É meu primeiro dia”. “Será que vou saber alguma coisa”.

No final, continuo como há um mês atrás, não sou interna coisa nenhuma.

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