sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O interno e o pintinho

(escrito em 20 de janeiro de 2011)

Ser interno é mais ou menos como se você fosse um pintinho que acabou de sair do ovo.

Você ficou lá quatro anos, protegido, na medida do possível dos percalços de um sistema de saúde bagunçado e semi-falido e de repente quando você nem pediu pra sair...pufi...vem um residente e quebra sua casquinha.

Se você tiver sorte, sua mamãe ou seu papai pinto (seu primeiro residente) vai ser muito legal e vai dizer a prescrição item por item e vai contar tudo sobre o “povo mau” do posto de enfermagem, que esconde a prescrição e fica te enxotando, quando você mal tem penas.

Ele(a) vai te proteger das atendentes ensandecidas e dos staffs de mau humor. Além de parecer ser a única pessoa do universo em que você irá acreditar se ele(a) disser que o paciente tem macicez móvel ... rsrsrsrs.

Uma mamãe e um papai pinto são seres de extrema importância, afinal é seu primeiro modelo do mundo real e você pode virar um franguinho de granja, branquinho, forte e feliz, ou um terrível capote, preto de bolinha branca, gauche e rabugento, depois dessa experiência.

Eventualmente, você entra pra lista de adoção e outras pessoas vão cuidar de você. Umas vão deixar de ter dar comida, outras vão deixar de te dar atenção, outras vão deixar o “povo mau” te fazer de gato e sapato, mas nem tudo é desgraça e vão existir aqueles que vão cuidar de você de verdade.

Anos depois vai ter seus próprios pintinhos, que depois vão ter os deles e depois outros e mais outros pintinhos.

Não mesmo ! Meus pintinhos não virar capote !

Posso dizer que tive sorte.


Obs: Capote = cearês para Galinha D'Angola

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