sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

E foi de alta...

(escrito em 21 de janeiro de 2011 - 24h de criatividade)

E meu primeiro paciente internado (a rigor, o segundo) foi de alta. Pelo menos eu espero, às 15h ele ainda estava aguardando um carro, que vinha de um longínquo interior, levá-lo para casa.

Eu aprendi a prescrever, a evoluir, a prescrever de novo, a solicitar exames, a chegar cedo, a disputar o tensiômetro...esse tipo de coisa.

O dia foi bem produtivo. Consultei um paciente no ambulatório, um paciente que não era “protocolo de pesquisa” (rsrsrs) e de fato eu sabia o que ele tinha, e eu sabia que conduta tomar sozinha e eu sabia explicar o porquê dos exames e o porquê da medicação e um monte de outros “e”.

E...hoje eu passei o dia quase inteiro em observação letárgica.

Em oito dias, eu não dormi, descansei, eu não comi, engoli. Não que eu esteja achando essas as piores coisas do universo, surpreendentemente eu não tive preguiça de ir ao hospital nenhuma vez nesses 20 dias, deixei de fazer/ler coisas para dormir mais cedo e chegar mais cedo ainda no outro dia. Sabe, eu quis fazer tudo direitinho. Acho que eu devo ter de fato alguma aptidão pra ser médica, kkkkk.

Mas...ninguém pode viver o tempo todo assim. Embora eu saiba que minha vida vá ser assim uns 90% do tempo pelos próximos 6 ou 7 anos. Ainda faltam mais dois de internato, um dando plantão como recém-formada por aí, três de residência e depois...se tudo der certo...meu doutorado acesso direto. Não dá pra viver assim. Depois de oito dias eu queria ver meus amigos, eu queria viver a minha vida, tive saudade de tudo e de todos, dos meus cheirinhos familiares e não dos de outra pessoa.

E aí, eu fiquei lembrando de todas aquelas histórias que a gente ouve na faculdade, de pessoas que vivem medicina o tempo todo, que perdem a família ou nem chegam a construir uma, que fazem do repouso médico seu segundo lar. Não posso fazer isso. E não acho que eu esteja me afastando do modelo do médico ideal por isso, pelo contrário. Eu quero poder cuidar das pessoas sem deixar de cuidar de mim, eu quero ter – e acho que aprendi um pouco a ter essa semana – a exata medida de que a minha vida é tão importante quanto a das pessoas que eu cuido.

Nesses dias conheci tantas pessoas novas, conheci novas “velhas pessoas”, conheci pessoas tão doces e tão tranqüilas, que vivem com a medicina e não a medicina.

Pessoas que souberam construír um “pra quê” e um “pra quem” voltar no fim do dia. Que vivem seus desejos e suas aspirações sem precisar estabelecer patamares esdrúxulos de prioridades e, ainda assim, fazem o que podem por pessoas que nunca viram.

Talvez essas sejam as pessoas realmente felizes COM a medicina.

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