Nunca tive dúvidas para onde eu iria no internato. Pelo menos essa dúvida eu nunca tive. Mesmo quando eu nem sabia o que era internato eu sempre soube pra onde eu queria ir.
Eu sempre soube,todas vezes que eu passei tão triste pela rua do ladinho do HU, indo chorar sozinha a noite porque ia estudar um ano inteirinho de novo, nas vezes que não passei no vestibular.
Eu sempre soube quando umas pessoas acharam que eu não iria nunca conseguir, quando outras me disseram “faz Direito”. Acho que eu sempre soube, até quando eu comecei a escolher e achava sempre que minhas mãos enormes não iriam ter muita serventia em outras profissões.
O HU é esse lugar mágico e bem velhinho que fica lá no antigo Porangabussú. Tem lajotinhas branco gelo e cheirinho de sabão sábado de manhã, quando os pacientes saem das enfermarias pra moça arrumar e ficam contando os diagnósticos uns pros outros.
O HU tem muitos e muitos caminhos, que eu demorei uns dois semestres pra aprender a não me perder lá por dentro.
Lá dentro tem quase tudo que eu já aprendi, com quase todo mundo que já me ensinou alguma coisa. Tem quase todos os meus erros estudantis e os meus acertos também.
Foi lá que eu falei com um estranho pela primeira vez e ele me contou a vida dele e eu jurei internamente, mesmo sem ele me pedir, que eu não iria contar pra ninguém. E eu nunca contei mesmo.
Foi lá que eu descobri que as pessoas são mesmo muito confusas, mas que eu acho muito bacana lidar com elas. É lá que até hoje eu procuro aquele médico de mentira que a gente sempre pensa que existe, que é calmo, tranqüilo, que sabe de tudo, é humilde, se veste de branco e é muito engraçado...um que nunca se estressa, hahahahahaha. Até agora achei alguns protótipos apenas. Sem “perhaps” !
O HU não é o melhor serviço, não mesmo. Se eu quisesse o maior, o que tem tudo, eu escolheria o HGF. Mas não...lá não tem tudo.
Quando eu surtar e eu vou surtar em algum momento nos próximos 2 anos, eu não vou poder atravessar a rua e achar alguém que me ajude. O HGF não é lá na biblioteca.
Quando minha manhã for uma droga e meu staff incompreensivo eu não vou ter pra quem contar tudo no almoço...quem vai me dizer que no final tudo vai dar certo?
Quando meu paciente morrer e algum deles vai morrer...eu não vou poder descer na pediatria...ou subir na cirurgia e morrer de chorar desfazendo minha cara de paisagem e minha calma aparente com alguém que me compreenda.
O HU é minha casa, sabe?
Eu moro lá desde 2007...eu almoço lá, eventualmente eu cochilo lá, eu dou risada lá...eu sou feliz lá...então...qual o sentido de sair de casa justamente no período mais importante, polarizado e confuso da minha vida de estudante?
Não, não...de um modo ou de outro, eu sempre soube onde queria ficar.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
A arte de não fazer nada.
Hoje, por 10 minutos, não vou fazer nada.
Por 10 minutos não vou ver filmes sobre histórias impossíveis, não vou ler livros que me encham de citações Cult distantes, não vou ver programas de cenário brilhante na TV com valores superficiais e não vou abrir esse consumidor desktop cheio de coisas que de fato eu não preciso, com web notícias que no fundo não afetam minha vida em absolutamente nada.
Vou ficar, por 10 minutos, deitada olhando alguma plantinha, um pé de cactus que seja. 10 minutos sem pensar em artigos científicos, sem lembrar das fofocas do mundo. 10 minutos com meu planos acadêmicos guardados em armário sem chave. 10 minutos sem ninguém falando ou entrando no que eu penso...porque por 10 minutos eu não vou pensar em nada.
Por 10 minutos, eu vou abandonar qualquer traço evolutivo, vou lembrar apenas que eu respiro, olhando o umbigo subindo e descendo, vou lembrar que o mundo é um lugar engraçado e ver as nuvens passando dando uma sensação esquisita que você está se mexendo, mas na verdade está parado.
Por 10 minutos, eu vou simplificar as coisas e simplesmente praticar a arte de não fazer nada, porque quem sabe assim eu ache o que nunca esteve faltando.
Por 10 minutos não vou ver filmes sobre histórias impossíveis, não vou ler livros que me encham de citações Cult distantes, não vou ver programas de cenário brilhante na TV com valores superficiais e não vou abrir esse consumidor desktop cheio de coisas que de fato eu não preciso, com web notícias que no fundo não afetam minha vida em absolutamente nada.
Vou ficar, por 10 minutos, deitada olhando alguma plantinha, um pé de cactus que seja. 10 minutos sem pensar em artigos científicos, sem lembrar das fofocas do mundo. 10 minutos com meu planos acadêmicos guardados em armário sem chave. 10 minutos sem ninguém falando ou entrando no que eu penso...porque por 10 minutos eu não vou pensar em nada.
Por 10 minutos, eu vou abandonar qualquer traço evolutivo, vou lembrar apenas que eu respiro, olhando o umbigo subindo e descendo, vou lembrar que o mundo é um lugar engraçado e ver as nuvens passando dando uma sensação esquisita que você está se mexendo, mas na verdade está parado.
Por 10 minutos, eu vou simplificar as coisas e simplesmente praticar a arte de não fazer nada, porque quem sabe assim eu ache o que nunca esteve faltando.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Minha Apresentação Oral.
Ahaaa...trabalho do PET selecionado para apresentação oral do...Outubro Médico...tá não foi “o congresso”, mas também não foi “o trabalho”.
Escrevi assim como quem não quer nada, mandei assim como quem quer menos ainda, sem muitas esperanças dados os percalços emocionais desse trabalho em vias finais de PET Saúde, mas o fato é que alguém leu, achou interessante e achou que eu devia ir lá apresentar oral.
Eu fui a 4ª de 5 apresentações e de certa forma me senti muito feliz de não ter sido “empurrada” para uma oral com experiência zero.
Foi bem tranqüilo, foi bem simples, foi objetivo...eu dei o meu recado. Não...dificilmente premiação, mas eu olhei a nota e fiz a máxima de todos os quesitos. Mas vamos combinar, faltou emoção.
Um trabalho não é só gráfico, não é só estatística...não é só autoria e co-autoria. Ele significa, tem que significar. Significar pra quem foi entrevistado, significar pra sociedade e significar antes, bem no começo, quando se escreve uma introdução, ele tem que significar pra quem escreveu. E esse trabalho...bem...significou stress, significou conflito com falta de profissionalismo, com falta de apoio, significou muita solidão. E fazer sozinho, não tem graça, não tem vibração.
Amanhã vai rolar a premiação. Se eu escolhesse um dos que apresentaram no meu dia, certamente já teria um preferido, um com emoção. Um que quando falarem o nome, outras pessoas vão pular e gritar de felicidade.
Mas...teve algo de positivo.
Eu posso ter escrito sozinha, ter treinado sozinha...mas eu não apresentei sozinha. Eu apresentei hoje desde o S1. Eu não errei. Eu tinha o arquivo sem erros, em fontes sem erro...pois eu falhei com várias pessoas na segunda semana de faculdade, apresentando as fases da morte da Kubler Ross. Eu errei no S2 esquecendo de checar vídeos e tempo. Eu errei muitas outras vezes, quando não entendia o assunto suficientemente, quando não me comuniquei, quando não quis ouvir críticas.
Hoje eu decidi que mesmo que não tivesse nenhum conhecido na platéia eu ia apresentar como se eu estivesse falando para os meus amigos da A3, como se eu quisesse que eles entendessem igual minha apresentação da neuro, eu queria saber e queria que perguntassem, então eu fingi que ia ensinar meus amigos...porque não poderia haver ninguém mais importante para ensinar.
No final, ninguém perguntou. “Você já disse tudo, não restou dúvida”.
Umas pessoas imaginárias na platéia falaram: “foi perfeito”, “amiga, foi f***”, “entendi, plima”... :)
Escrevi assim como quem não quer nada, mandei assim como quem quer menos ainda, sem muitas esperanças dados os percalços emocionais desse trabalho em vias finais de PET Saúde, mas o fato é que alguém leu, achou interessante e achou que eu devia ir lá apresentar oral.
Eu fui a 4ª de 5 apresentações e de certa forma me senti muito feliz de não ter sido “empurrada” para uma oral com experiência zero.
Foi bem tranqüilo, foi bem simples, foi objetivo...eu dei o meu recado. Não...dificilmente premiação, mas eu olhei a nota e fiz a máxima de todos os quesitos. Mas vamos combinar, faltou emoção.
Um trabalho não é só gráfico, não é só estatística...não é só autoria e co-autoria. Ele significa, tem que significar. Significar pra quem foi entrevistado, significar pra sociedade e significar antes, bem no começo, quando se escreve uma introdução, ele tem que significar pra quem escreveu. E esse trabalho...bem...significou stress, significou conflito com falta de profissionalismo, com falta de apoio, significou muita solidão. E fazer sozinho, não tem graça, não tem vibração.
Amanhã vai rolar a premiação. Se eu escolhesse um dos que apresentaram no meu dia, certamente já teria um preferido, um com emoção. Um que quando falarem o nome, outras pessoas vão pular e gritar de felicidade.
Mas...teve algo de positivo.
Eu posso ter escrito sozinha, ter treinado sozinha...mas eu não apresentei sozinha. Eu apresentei hoje desde o S1. Eu não errei. Eu tinha o arquivo sem erros, em fontes sem erro...pois eu falhei com várias pessoas na segunda semana de faculdade, apresentando as fases da morte da Kubler Ross. Eu errei no S2 esquecendo de checar vídeos e tempo. Eu errei muitas outras vezes, quando não entendia o assunto suficientemente, quando não me comuniquei, quando não quis ouvir críticas.
Hoje eu decidi que mesmo que não tivesse nenhum conhecido na platéia eu ia apresentar como se eu estivesse falando para os meus amigos da A3, como se eu quisesse que eles entendessem igual minha apresentação da neuro, eu queria saber e queria que perguntassem, então eu fingi que ia ensinar meus amigos...porque não poderia haver ninguém mais importante para ensinar.
No final, ninguém perguntou. “Você já disse tudo, não restou dúvida”.
Umas pessoas imaginárias na platéia falaram: “foi perfeito”, “amiga, foi f***”, “entendi, plima”... :)
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ultimo Bimestre Pré–Internato...
Já dá pra ouvir os tambores ruflando, escutar aquela musiquinha de abertura do House...imagina a cena: manguinha do jaleco e passa um braço, depois o outro, pega o esteto em cima da mesa...zapt...entrada da Clinica II do HUWC (tomara que eu consiga começar pela clínica)...só o barulho de passinhos...agora prontuários deslizando pelos mezaninos do posto I...caneta de propaganda da indústria farmacêutica saindo do bolso do jaleco e os primeiros escritos são:
NOTA DE ADMISSÃO
KKKKKKKKKK, nome, idade, naturalidade e procedência, olá, meu nome é Aline, vou ficar acompanhando a Sra (será q vai ser homem ou mulher o #1?) durante seu internamento, qualquer coisa pode pedir pra me chamar.
E aí, sentiu a moral?
Enquanto isso, no recuo do posto I : cadê o Ipod, cadê o Blackbook, alguém tem um Harisson? Rsrsrsrsrs.
Ai ai ai...nessa FAMED pelo menos a gente se diverte.
NOTA DE ADMISSÃO
KKKKKKKKKK, nome, idade, naturalidade e procedência, olá, meu nome é Aline, vou ficar acompanhando a Sra (será q vai ser homem ou mulher o #1?) durante seu internamento, qualquer coisa pode pedir pra me chamar.
E aí, sentiu a moral?
Enquanto isso, no recuo do posto I : cadê o Ipod, cadê o Blackbook, alguém tem um Harisson? Rsrsrsrsrs.
Ai ai ai...nessa FAMED pelo menos a gente se diverte.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Plantão na MEAC
Well, well, well...
Pois lá se foi meu primeiro mês como estagiária da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, fundada em não sei que ano, e com vários professores importantes. Lá tem até um museu contando parte da história dos partos e da maternidade. Quem guardava a chave era a “Milquinha” e quando eu entrei lá pela primeira vez parecia que eu tava pisando entre a internet e o mimeógrafo, entre o branco/brilhante e o amareladinho, entre os óculos anti-reflexo e aquelas armações de tartaruga com lentes escuras que parece que todos os professores importantes usaram um dia..e depois pufi...morreram.
A prova pro estágio foi nas férias e eu preguei alguns dias seguidos no Rezendinho (livro texto de obstetrícia)...a concorrência foi de...bem, perguntem a quem já tentou o estágio da MEAC (rsrs), mas mesmo assim eu fiquei numa apreensão danada...só acreditei quando vi o nomezinho lá. Ai foi só alegria, né não plima?!
Indo para o S8 não tinha feito nenhum estágio oficial, a não ser o PET Saúde, que funciona como tal, na medida do possível. Então eu fiz milhares de planos, procurei milhares de livros, pensei no que levar na mochila, ajeitei meu “pitó” de cabelo, calcei meu tênis de tirinhas verdes e lá fui eu no meu calhambeque para a MEAC.
Perguntei milhares de vezes antes de ir, onde trocava de roupa, onde deixava as coisas, quem eu procurava, aquele nervoso...eu pensei em tudo, em tudo que eu ia fazer, que eu ia ficar “chapa” de todas as enfermeiras, que eu ia arrasar no meu primeiro diagnóstico e que todas as pacientes iriam gostar tanto do meu atendimento que não iam nem achar que era SUS e óbvio que os meus staffs iriam ser os melhores do universo.
O fato é que eu não lembro o que minha primeira paciente tinha, fiquei tão agoniada com a situação que mal olhei pra cara da paciente, eu não tinha a menor idéia do diagnóstico, a menor idéia do que escrever, do que perguntar, que exame pedir ou mesmo se era para pedir algum exame. E todos os meus planos brilhantes foram pelo ralo. Eu voltei pra casa sem saber o nome de uma enfermeira, tive pesadelo porque comi muito no jantar das 22h, meus staffs eram legais, mas eu só aprendi a prescrever dieta zero para pré-eclâmpsia e meu estetoscópio Littman e toda sua tecnologia anti-sons externos se limitou a sons de Karotkoff.
Mas...algo mudou, mudou da primeira pra segunda paciente, pra terceira, pra quarta e pra quinta paciente do meu primeiro dia...o desespero foi passando e de alguma forma eu consegui me comunicar com elas.
Meu plantão acabou virando a coisa mais divertida da minha semana...eu passei a me sentir tão feliz e tão útil, que sempre me arrumo rapidinho, olho meu sagrado capítulo de US fetal antes de ir pro plantão, amarro meu “pitó” e meu tênis de tirinhas verdes e falo meu tradicional “Tchau, Mãezinha, tchau, Papito, já vou”...
Meu atendimento ainda não é o Monte Klinikum, mas pelo menos já tem um jeitinho de SUS que funciona.
Let the second month begins :)
Pois lá se foi meu primeiro mês como estagiária da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, fundada em não sei que ano, e com vários professores importantes. Lá tem até um museu contando parte da história dos partos e da maternidade. Quem guardava a chave era a “Milquinha” e quando eu entrei lá pela primeira vez parecia que eu tava pisando entre a internet e o mimeógrafo, entre o branco/brilhante e o amareladinho, entre os óculos anti-reflexo e aquelas armações de tartaruga com lentes escuras que parece que todos os professores importantes usaram um dia..e depois pufi...morreram.
A prova pro estágio foi nas férias e eu preguei alguns dias seguidos no Rezendinho (livro texto de obstetrícia)...a concorrência foi de...bem, perguntem a quem já tentou o estágio da MEAC (rsrs), mas mesmo assim eu fiquei numa apreensão danada...só acreditei quando vi o nomezinho lá. Ai foi só alegria, né não plima?!
Indo para o S8 não tinha feito nenhum estágio oficial, a não ser o PET Saúde, que funciona como tal, na medida do possível. Então eu fiz milhares de planos, procurei milhares de livros, pensei no que levar na mochila, ajeitei meu “pitó” de cabelo, calcei meu tênis de tirinhas verdes e lá fui eu no meu calhambeque para a MEAC.
Perguntei milhares de vezes antes de ir, onde trocava de roupa, onde deixava as coisas, quem eu procurava, aquele nervoso...eu pensei em tudo, em tudo que eu ia fazer, que eu ia ficar “chapa” de todas as enfermeiras, que eu ia arrasar no meu primeiro diagnóstico e que todas as pacientes iriam gostar tanto do meu atendimento que não iam nem achar que era SUS e óbvio que os meus staffs iriam ser os melhores do universo.
O fato é que eu não lembro o que minha primeira paciente tinha, fiquei tão agoniada com a situação que mal olhei pra cara da paciente, eu não tinha a menor idéia do diagnóstico, a menor idéia do que escrever, do que perguntar, que exame pedir ou mesmo se era para pedir algum exame. E todos os meus planos brilhantes foram pelo ralo. Eu voltei pra casa sem saber o nome de uma enfermeira, tive pesadelo porque comi muito no jantar das 22h, meus staffs eram legais, mas eu só aprendi a prescrever dieta zero para pré-eclâmpsia e meu estetoscópio Littman e toda sua tecnologia anti-sons externos se limitou a sons de Karotkoff.
Mas...algo mudou, mudou da primeira pra segunda paciente, pra terceira, pra quarta e pra quinta paciente do meu primeiro dia...o desespero foi passando e de alguma forma eu consegui me comunicar com elas.
Meu plantão acabou virando a coisa mais divertida da minha semana...eu passei a me sentir tão feliz e tão útil, que sempre me arrumo rapidinho, olho meu sagrado capítulo de US fetal antes de ir pro plantão, amarro meu “pitó” e meu tênis de tirinhas verdes e falo meu tradicional “Tchau, Mãezinha, tchau, Papito, já vou”...
Meu atendimento ainda não é o Monte Klinikum, mas pelo menos já tem um jeitinho de SUS que funciona.
Let the second month begins :)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Pois, pois...
O caos está estabelecido novamente.
Como não poderia deixar de ser, a tragédia polariza a comédia ...e a comédia e a tragédia aportaram na turma A3 semana passada.
Teve choro e, às escondidas, acredito que muita vela. Se você acredita em misticismo, o santo baixou geral, com direito a pomba gira tomando chá com o preto veio do Iguatu.
Tudo começou em uma tarde de esperança: esperança que o professor chegasse antes das três, esperança de conseguir terminar duas consultas antes da cinco, esperança de pacientes amigáveis...mas o que era verde ficou cinza já no consultório 1, quando fomos confrontados com o temor de todo estudante de medicina: a afirmação que não sabemos um conteúdo.
Ainda que viremos noites (ou não), ainda que tentemos aprender apesar dos percalços do ensino médico que confunde modernidade com mofo de armário...não sabemos de nada, mesmo que saibamos infinitamente mais que ontem.
Nosso conta-gotas de conhecimento, alimentado com gotinhas de Harrison e Medcurso, é tão pequenininho que ainda que ele espichasse não daria para encher o copinho decorativo de desenho chinês de mentira que tem na mesinha de centro da minha sala.
Ok, todos nós sabemos disso, ok, não iremos querer admitir, pelo menos não em público, pelo menos não na frente de quem vive a ilusão da nossa genialidade e que acredita que temos uma solução, pelo menos não na frente de quem vê em nós esperança, não na frente dos nossos pacientes.
No fundo todos nós admitimos, todos nós sabemos e todos nós ficamos ciclotímicos dentro da FAMED. Então, a tragédia foi justificada?
Talvez sim, talvez não. E porque ficamos tão “sentidos”?
Não, não tem nada a ver com publicações de n’s infinitos, tem a ver com compreensão, tem a ver com buscar abrigo em quem deveria nos entender, porque vive e sempre vai viver enchendo pequenos conta-gotas como nós, que ainda somos crianças em desenvolvimento de personalidade. Tem a ver com tirar cores cinzas e milhares de nuvenzinhas das nossas cabeças...tem a ver com deixar a gente a achar que um dia tudo vai ficar verde. E que de fato vai dar certo.
Como não poderia deixar de ser, a tragédia polariza a comédia ...e a comédia e a tragédia aportaram na turma A3 semana passada.
Teve choro e, às escondidas, acredito que muita vela. Se você acredita em misticismo, o santo baixou geral, com direito a pomba gira tomando chá com o preto veio do Iguatu.
Tudo começou em uma tarde de esperança: esperança que o professor chegasse antes das três, esperança de conseguir terminar duas consultas antes da cinco, esperança de pacientes amigáveis...mas o que era verde ficou cinza já no consultório 1, quando fomos confrontados com o temor de todo estudante de medicina: a afirmação que não sabemos um conteúdo.
Ainda que viremos noites (ou não), ainda que tentemos aprender apesar dos percalços do ensino médico que confunde modernidade com mofo de armário...não sabemos de nada, mesmo que saibamos infinitamente mais que ontem.
Nosso conta-gotas de conhecimento, alimentado com gotinhas de Harrison e Medcurso, é tão pequenininho que ainda que ele espichasse não daria para encher o copinho decorativo de desenho chinês de mentira que tem na mesinha de centro da minha sala.
Ok, todos nós sabemos disso, ok, não iremos querer admitir, pelo menos não em público, pelo menos não na frente de quem vive a ilusão da nossa genialidade e que acredita que temos uma solução, pelo menos não na frente de quem vê em nós esperança, não na frente dos nossos pacientes.
No fundo todos nós admitimos, todos nós sabemos e todos nós ficamos ciclotímicos dentro da FAMED. Então, a tragédia foi justificada?
Talvez sim, talvez não. E porque ficamos tão “sentidos”?
Não, não tem nada a ver com publicações de n’s infinitos, tem a ver com compreensão, tem a ver com buscar abrigo em quem deveria nos entender, porque vive e sempre vai viver enchendo pequenos conta-gotas como nós, que ainda somos crianças em desenvolvimento de personalidade. Tem a ver com tirar cores cinzas e milhares de nuvenzinhas das nossas cabeças...tem a ver com deixar a gente a achar que um dia tudo vai ficar verde. E que de fato vai dar certo.
sábado, 7 de agosto de 2010
Opening Post
Acaba de me ocorrer a inauguração de um blog.
Não demorei a escolher o nome, bastou pegar a frase mais "popular" do meu id msn. Parece que o mundo inteiro entra em desespero a cada 10 ou 15 dias e de algum modo passa a acreditar nessa frase.
Não é uma idéia original criar um blog...na verdade eu "roubei" a idéia da Milca, dona do único blog que eu leio, porque o do Herley, eu simplesmente não entendo...bem, ter um blog é uma oportunidade única de falar sobre o que vc quiser por alguns minutos sem ser contestada, sem que alguém interrompa, sem que alguém meta o bedelho. E bom...eu posso falar sobre o que eu quiser...e como a maioria dos estudantes de medicina eu também leio livros (sobre medicina), eu tb assisto programas de tv (sobre medicina), eu tb assisto filmes (sobre medicina)...é, eu fui engolida pela medicina.
Mas não foi algo proposital, eu sempre me interessei por tantas coisas...uma infância/adolescência cultural ao extremo...na minha casa, descendo os degraus, eu podia assistir todos os filmes que você imaginar (mamãe tinha uma locadora), meu irmão sempre tinha cds de todas as bandas que importam (ouçam dire straits), aos sábados eu sempre ia até a locadora de livros escolher mais um dos milhares livros em série...de brumas de avalon a divina comédia...nunca fui muito de historias do mundo real, voar, ser imortal e ter poderes sobrenaturais sempre me pareceram muito mais glamurosos rsrsrs.
Posso dizer que até a faculdade eu não lia ou via praticamente nada sobre medicina...a não ser óleo de lorenzo e ER...então como eu acabei sendo engolida dessa forma?
Acho que engolir não é o verbo adequado, acho que eu tapei o nariz e pulei em um poço escuro e muito muito fundo, daqueles que você sai do outro lado de cabeça pra baixo, mas na verdade tá de cabeça pra cima...uma coisa meio Lewis Carroll...acho que eu simplesmente escolhi isso, inconsciente e conscientemente, porque ajudar alguém é muito mais desafiador que voar ou ter poderes sobrenaturais...as pessoas são mesmo muito complexas e ler medicina é mais complexo a cada momento...então...me viciei. É isso.
Não demorei a escolher o nome, bastou pegar a frase mais "popular" do meu id msn. Parece que o mundo inteiro entra em desespero a cada 10 ou 15 dias e de algum modo passa a acreditar nessa frase.
Não é uma idéia original criar um blog...na verdade eu "roubei" a idéia da Milca, dona do único blog que eu leio, porque o do Herley, eu simplesmente não entendo...bem, ter um blog é uma oportunidade única de falar sobre o que vc quiser por alguns minutos sem ser contestada, sem que alguém interrompa, sem que alguém meta o bedelho. E bom...eu posso falar sobre o que eu quiser...e como a maioria dos estudantes de medicina eu também leio livros (sobre medicina), eu tb assisto programas de tv (sobre medicina), eu tb assisto filmes (sobre medicina)...é, eu fui engolida pela medicina.
Mas não foi algo proposital, eu sempre me interessei por tantas coisas...uma infância/adolescência cultural ao extremo...na minha casa, descendo os degraus, eu podia assistir todos os filmes que você imaginar (mamãe tinha uma locadora), meu irmão sempre tinha cds de todas as bandas que importam (ouçam dire straits), aos sábados eu sempre ia até a locadora de livros escolher mais um dos milhares livros em série...de brumas de avalon a divina comédia...nunca fui muito de historias do mundo real, voar, ser imortal e ter poderes sobrenaturais sempre me pareceram muito mais glamurosos rsrsrs.
Posso dizer que até a faculdade eu não lia ou via praticamente nada sobre medicina...a não ser óleo de lorenzo e ER...então como eu acabei sendo engolida dessa forma?
Acho que engolir não é o verbo adequado, acho que eu tapei o nariz e pulei em um poço escuro e muito muito fundo, daqueles que você sai do outro lado de cabeça pra baixo, mas na verdade tá de cabeça pra cima...uma coisa meio Lewis Carroll...acho que eu simplesmente escolhi isso, inconsciente e conscientemente, porque ajudar alguém é muito mais desafiador que voar ou ter poderes sobrenaturais...as pessoas são mesmo muito complexas e ler medicina é mais complexo a cada momento...então...me viciei. É isso.
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