Well, well, well...
Pois lá se foi meu primeiro mês como estagiária da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, fundada em não sei que ano, e com vários professores importantes. Lá tem até um museu contando parte da história dos partos e da maternidade. Quem guardava a chave era a “Milquinha” e quando eu entrei lá pela primeira vez parecia que eu tava pisando entre a internet e o mimeógrafo, entre o branco/brilhante e o amareladinho, entre os óculos anti-reflexo e aquelas armações de tartaruga com lentes escuras que parece que todos os professores importantes usaram um dia..e depois pufi...morreram.
A prova pro estágio foi nas férias e eu preguei alguns dias seguidos no Rezendinho (livro texto de obstetrícia)...a concorrência foi de...bem, perguntem a quem já tentou o estágio da MEAC (rsrs), mas mesmo assim eu fiquei numa apreensão danada...só acreditei quando vi o nomezinho lá. Ai foi só alegria, né não plima?!
Indo para o S8 não tinha feito nenhum estágio oficial, a não ser o PET Saúde, que funciona como tal, na medida do possível. Então eu fiz milhares de planos, procurei milhares de livros, pensei no que levar na mochila, ajeitei meu “pitó” de cabelo, calcei meu tênis de tirinhas verdes e lá fui eu no meu calhambeque para a MEAC.
Perguntei milhares de vezes antes de ir, onde trocava de roupa, onde deixava as coisas, quem eu procurava, aquele nervoso...eu pensei em tudo, em tudo que eu ia fazer, que eu ia ficar “chapa” de todas as enfermeiras, que eu ia arrasar no meu primeiro diagnóstico e que todas as pacientes iriam gostar tanto do meu atendimento que não iam nem achar que era SUS e óbvio que os meus staffs iriam ser os melhores do universo.
O fato é que eu não lembro o que minha primeira paciente tinha, fiquei tão agoniada com a situação que mal olhei pra cara da paciente, eu não tinha a menor idéia do diagnóstico, a menor idéia do que escrever, do que perguntar, que exame pedir ou mesmo se era para pedir algum exame. E todos os meus planos brilhantes foram pelo ralo. Eu voltei pra casa sem saber o nome de uma enfermeira, tive pesadelo porque comi muito no jantar das 22h, meus staffs eram legais, mas eu só aprendi a prescrever dieta zero para pré-eclâmpsia e meu estetoscópio Littman e toda sua tecnologia anti-sons externos se limitou a sons de Karotkoff.
Mas...algo mudou, mudou da primeira pra segunda paciente, pra terceira, pra quarta e pra quinta paciente do meu primeiro dia...o desespero foi passando e de alguma forma eu consegui me comunicar com elas.
Meu plantão acabou virando a coisa mais divertida da minha semana...eu passei a me sentir tão feliz e tão útil, que sempre me arrumo rapidinho, olho meu sagrado capítulo de US fetal antes de ir pro plantão, amarro meu “pitó” e meu tênis de tirinhas verdes e falo meu tradicional “Tchau, Mãezinha, tchau, Papito, já vou”...
Meu atendimento ainda não é o Monte Klinikum, mas pelo menos já tem um jeitinho de SUS que funciona.
Let the second month begins :)
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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