Meu conhecimento se preenche de forma emocional. Os meus significados definitivamente são emocionais. Para aprender eu preciso pegar, eu preciso sentir, eu preciso dar importância, eu preciso respeitar genuinamente quem me ensina.
E como é difícil encontrar alguém que você genuinamente respeita. Existem pessoas que se impõem porque você tem medo delas, pessoas que se valem de uma condição profissional hierárquica, pessoas que são academicistas ao extremo. E pessoas raríssimas que eu posso chamar pelo primeiro nome ou adicionar um Dr. ou Prof. sem que isso de fato importe, que não necessitam de titulações ou vocativos iniciais, pessoas nas quais eu simplesmente acredito e confio.
Ensinar alguma coisa a alguém...
Eu vou tentar fazer isso, escolhi tentar fazer isso. Tentar por respeito genuíno. Aliás é única forma que eu vejo como possível de ser tentada, porque é assim que eu aprendo, eu não conheço outra metodologia eficaz, eu não conheço outra forma de dizer a alguém como pegar em outra pessoa excluindo as questões emocionais que tudo isso envolve, eu não conheço uma forma de ser distante.
Eu não acho plausível ensinar alguém a fazer um exame físico desconsiderando toda a “mágica” e o temor disso. Apesar de fazer o que eu vou ensinar todos os dias, numa intensa e rápida rotina, eu lembro exatamente o que passava pela minha cabeça quando eu fiz minha primeira ausculta e não consegui distinguir nada, quando eu passei umas 4h tentando elaborar meu primeiro diagnóstico, quando eu tive que conviver com pessoas que achavam ser melhores ou maiores quando elas eram exatamente iguais a mim, uma aluna da semiologia médica para quem um hemograma configurava-se em um enorme mistério.
Ainda não sei a quem eu vou ensinar ou se vou ensinar realmente alguma coisa que não vai ser perder com o tempo, mas...nunca é desperdício tentar, certo?!
Ass: uma monitora idealista de Semiologia Médica, com planos de doutorado pós-residência médica.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Definitivamente Horrível.
Após breve pesquisa qualitativa de “n” duvidoso, mas com achados significativos (2 pessoas me falaram sentir o mesmo até depois da traumatologia), conclui:
O primeiro dia do segundo serviço de um interno é horrível.
Estou sem ferimentos (pelo menos superficiais). Meu murmúrio vesicular está presente. Sem febre, vômitos ou cefaléia. Mas mesmo assim aqui vai uma grande nota:
É horrível. Estou horrível. Me sinto horrível.
Um interno não tem suporte ou melhor ele não tem escudo. Lembro que 3 de janeiro minha preocupação era não saber nada. Hoje eu sei onde achar tudo, mas talvez não seja o que importa, talvez eu só não soubesse distinguir o que importava.
Há muito tempo, quando eu pensei seriamente em fazer outra coisa, pensei em pessoas e nas reclamações, na dor, nos traumas, em algum momento eu julguei que poderia viver escutando tudo isso sem maiores problemas.
Hoje não é horrível por isso, não é horrível pelas queixas.
Hoje não é horrível porque eu atendi um garoto que vai passar o resto da vida restrito ao leito com pessoas com medo dele ou porque a maioria dos pacientes do meu novo serviço vai morrer.
Hoje é horrível porque eu estou sem suporte. Hoje é horrível porque eu não sei se algum dia a minha confiança e a minha tranqüilidade vai depender exclusivamente de mim.
Hoje é horrível porque quando eu cheguei nessa “entidade” internato, eu não tinha construído nenhum escudo emocional, todas as minhas capas protetoras estavam em algum outro serviço ou outro hospital, então sem perceber eu deixei novas pessoas virarem minha proteção, meu perímetro de segurança, parte da minha versão pessoal da “teoria do apego”.
Hoje é horrível porque não tinha mais ninguém lá.
Não sai outra palavra, horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível.
Será que alguns internos/residentes são tão distantes porque ele não querem nunca mais se sentir assim?
Com saudade?
O primeiro dia do segundo serviço de um interno é horrível.
Estou sem ferimentos (pelo menos superficiais). Meu murmúrio vesicular está presente. Sem febre, vômitos ou cefaléia. Mas mesmo assim aqui vai uma grande nota:
É horrível. Estou horrível. Me sinto horrível.
Um interno não tem suporte ou melhor ele não tem escudo. Lembro que 3 de janeiro minha preocupação era não saber nada. Hoje eu sei onde achar tudo, mas talvez não seja o que importa, talvez eu só não soubesse distinguir o que importava.
Há muito tempo, quando eu pensei seriamente em fazer outra coisa, pensei em pessoas e nas reclamações, na dor, nos traumas, em algum momento eu julguei que poderia viver escutando tudo isso sem maiores problemas.
Hoje não é horrível por isso, não é horrível pelas queixas.
Hoje não é horrível porque eu atendi um garoto que vai passar o resto da vida restrito ao leito com pessoas com medo dele ou porque a maioria dos pacientes do meu novo serviço vai morrer.
Hoje é horrível porque eu estou sem suporte. Hoje é horrível porque eu não sei se algum dia a minha confiança e a minha tranqüilidade vai depender exclusivamente de mim.
Hoje é horrível porque quando eu cheguei nessa “entidade” internato, eu não tinha construído nenhum escudo emocional, todas as minhas capas protetoras estavam em algum outro serviço ou outro hospital, então sem perceber eu deixei novas pessoas virarem minha proteção, meu perímetro de segurança, parte da minha versão pessoal da “teoria do apego”.
Hoje é horrível porque não tinha mais ninguém lá.
Não sai outra palavra, horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível.
Será que alguns internos/residentes são tão distantes porque ele não querem nunca mais se sentir assim?
Com saudade?
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