Nuvens de inconsciente podem ser formadas de várias formas.
Em grupos reunidos por preferências,
os floquinhos invisíveis formadores da nuvem sobem em zig zag eufórico
e ficam translúcidos para permitir sol passar mesmo em dias frios e chuvosos,
daqueles dias que você coloca uma meia quente de bolinha.
Nesses dias e nestes grupos, minutos de floquinhos viram horas intermináveis
de aparente ausência de objetivo e litrooooooos de bem estar.
Em grupos reunidos por conveniências (amostra enviesada),
os floquinhos podem um dia serem assim como os do primeiro grupo,
ou...eles podem ser semi-translúcidos,
ou...ainda...em muitos casos...serem escuros e pesados, com dificuldade extrema de vencer a gravidade...mas veja...eles vão chegar lá !
Sabe quando a nuvem chega e o raio desce?
Então...
Advinha...o raio desceu.
O grupo de conveniência está portando os raios roubados do grande Zeus do olimpo e a coisa vai ficar tensa!
“Vai ficar” é um eufemismo que até não cabe mais!
As coisas estão tensas,
as coisas em amostras enviesadas são tensas.
E a grande solução parece ser juntar um esforço de subgrupos para enviar floquinhos ao menos leitosos, para reduzir a intensidade deste “nescau”.
Mas não vamos desistir.
Temos de ter esperança.
Quem rouba raios e “fica com a bola para si” pode levar um choque feio.
Enrugar a pele...perder a “elasticidade”...
Ficar perdido pra sempre em uma nuvem sem Sol...
E que triste será, para este pobre...
sozinho...
E entenda esta solidão soletrada...
Quando todo mundo que um dia quis
mandar um floquinho descompromissado e sem cor
resolver ir embora !
Assim....sem mais nem menos...depois de tantos avisos não lidos
E me diga...
Se não é assim que são
as grandes nuvens de inconsciente conscientemente coletivo !
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Coisas e projetos
A gente tem que aprender que tem coisas na vida que não deveriam ser misturadas.
Lembrei de ter aprendido isso e esquecido por um tempo. Fui relembrada hoje.
Fui relembrada que preciso deixar as coisas pra trás.
Não em um lugar esquecido que nunca mais vou revisitar.
Mas no lugar especial a que cada uma delas pertence.
E a gente sempre sabe o lugar de cada coisa.
Ela fica no exato lugar daquele risinho que escapa quando você encontra alguém que "mora lá",
quando acontecem deja vù situacionais e você pensa - "já sei" ou "entendo completamente".
É nesse lugar tão único que a gente guarda coisas e projetos com a total necessidade da ausência de narrativa.
Porque afinal a narrativa nunca seria fiel ao significado.
Em momentos de indefinição e indecisão é natural querer voltar à solidez e as certezas do passado, as pessoas que te fizeram quem você é e que acreditam nas mesmas coisas que você. Tenho voltado tão incessantemente a isso nos últimos meses...que...bom...(eu devia parar com isso!)
Será que voltar a essas coisas e a esses projetos vai te levar aonde você deve ou pode ir?
Será que reviver ao invés de revisitar certos momentos não vão quebrar o que um dia já foi tão especial?
É complicado saber o que você precisa,
ter todas as certezas sobre o que está faltando...
saber de tudo mesmo e não conseguir encontrar um modo de fazer funcionar...
mas não adianta...
a resposta não está no ano passado,
ou no ano antes desse ou 5 anos antes...”fast foward” !
Mesmo quando é muito difícil, às vezes é necessário ser técnico, imparcial e distante...
em prol de “no hurt feelings” e ao mesmo tempo “keep feelings you are so much found off”.
Então, acho que...sempre...vou escolher proteger o que e quem me é caro...
a estragar tudo com revisitações de segurança.
Porque sempre vão existir coisas e projetos diferentes pra fazer.
Porque hoje eu sou diferente de ontem, mesmo que com exatamente a mesma essência.
Prefiro preservar todos onde pús pra morarem com exatamente todas suas essências
todas as que acho tão, mas tão cheirosinhas...
E...
Ôpa...acabou de escapar um risinho !
"já sei" ou "entendo completamente"
Lembrei de ter aprendido isso e esquecido por um tempo. Fui relembrada hoje.
Fui relembrada que preciso deixar as coisas pra trás.
Não em um lugar esquecido que nunca mais vou revisitar.
Mas no lugar especial a que cada uma delas pertence.
E a gente sempre sabe o lugar de cada coisa.
Ela fica no exato lugar daquele risinho que escapa quando você encontra alguém que "mora lá",
quando acontecem deja vù situacionais e você pensa - "já sei" ou "entendo completamente".
É nesse lugar tão único que a gente guarda coisas e projetos com a total necessidade da ausência de narrativa.
Porque afinal a narrativa nunca seria fiel ao significado.
Em momentos de indefinição e indecisão é natural querer voltar à solidez e as certezas do passado, as pessoas que te fizeram quem você é e que acreditam nas mesmas coisas que você. Tenho voltado tão incessantemente a isso nos últimos meses...que...bom...(eu devia parar com isso!)
Será que voltar a essas coisas e a esses projetos vai te levar aonde você deve ou pode ir?
Será que reviver ao invés de revisitar certos momentos não vão quebrar o que um dia já foi tão especial?
É complicado saber o que você precisa,
ter todas as certezas sobre o que está faltando...
saber de tudo mesmo e não conseguir encontrar um modo de fazer funcionar...
mas não adianta...
a resposta não está no ano passado,
ou no ano antes desse ou 5 anos antes...”fast foward” !
Mesmo quando é muito difícil, às vezes é necessário ser técnico, imparcial e distante...
em prol de “no hurt feelings” e ao mesmo tempo “keep feelings you are so much found off”.
Então, acho que...sempre...vou escolher proteger o que e quem me é caro...
a estragar tudo com revisitações de segurança.
Porque sempre vão existir coisas e projetos diferentes pra fazer.
Porque hoje eu sou diferente de ontem, mesmo que com exatamente a mesma essência.
Prefiro preservar todos onde pús pra morarem com exatamente todas suas essências
todas as que acho tão, mas tão cheirosinhas...
E...
Ôpa...acabou de escapar um risinho !
"já sei" ou "entendo completamente"
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Nossa...6 anos...
Nossa...6 anos...
Há 6 anos eu não lia nada disso. Nada disso que escrevi. Não sei se tinha mais tempo ou o que pode ter acontecido.
Acabo de reler tudo, exatamente tudo que escrevi desde 2010. Não lembrava que comecei antes de ser interna. Não lembrava de certas coisas de modo tão vívido. Será que perdi sensibilidade?
Agora eu tenho um carimbo e já faz um tempo.
Já fui só eu, o carimbo e o paciente várias vezes - sempre sobrevivemos, eu e o paciente.
Eu acabei indo parar no HGF - que também ganhou ares de minha casa.
Eu fiquei um ano em uma cidade do interior - quase desisti de ser médica.
Eu fiz residência - a propósito, neurologia - acho q as vezes criei capotes (shame on me!).
Eu estou fora de casa tentando fazer um doutorado.
Não lembrava que eu pensei nisso há tanto tempo. Não lembrava da minha primeira apresentação oral - e bom, a última teve um significado absurdamente especial, ao contrário da primeira rsrsrs.
Não lembrava do meu tênis do cadarço verde - mais ainda gosto de tênis (uso menos) e ainda uso "pitó", amarrado diferente, mas ainda um pitó.
Eu não lembrava de ter jurado não contar o segredo dos pacientes - mas já peguei brigas homéricas com quem achou que eu fosse fazer isso - sim, já fui muito "bitch". E eu continuo não contando nada e eu continuo achando que eu não sei nada sobre eles.
E cá estou eu - conceitualmente a mesma pessoa, menos idealista talvez, mais paciente (pelo menos um pouco, rsrsrs).
Hoje foi mais um dia como tantos outros que talvez motivaram essa escrita sem absoluto objetivo.
Foi um dia em que as coisas vão mudar, ou terão que mudar.
Estou HOMESICKNESS.
E esse blog claramente precisa de atualizações.
Há 6 anos eu não lia nada disso. Nada disso que escrevi. Não sei se tinha mais tempo ou o que pode ter acontecido.
Acabo de reler tudo, exatamente tudo que escrevi desde 2010. Não lembrava que comecei antes de ser interna. Não lembrava de certas coisas de modo tão vívido. Será que perdi sensibilidade?
Agora eu tenho um carimbo e já faz um tempo.
Já fui só eu, o carimbo e o paciente várias vezes - sempre sobrevivemos, eu e o paciente.
Eu acabei indo parar no HGF - que também ganhou ares de minha casa.
Eu fiquei um ano em uma cidade do interior - quase desisti de ser médica.
Eu fiz residência - a propósito, neurologia - acho q as vezes criei capotes (shame on me!).
Eu estou fora de casa tentando fazer um doutorado.
Não lembrava que eu pensei nisso há tanto tempo. Não lembrava da minha primeira apresentação oral - e bom, a última teve um significado absurdamente especial, ao contrário da primeira rsrsrs.
Não lembrava do meu tênis do cadarço verde - mais ainda gosto de tênis (uso menos) e ainda uso "pitó", amarrado diferente, mas ainda um pitó.
Eu não lembrava de ter jurado não contar o segredo dos pacientes - mas já peguei brigas homéricas com quem achou que eu fosse fazer isso - sim, já fui muito "bitch". E eu continuo não contando nada e eu continuo achando que eu não sei nada sobre eles.
E cá estou eu - conceitualmente a mesma pessoa, menos idealista talvez, mais paciente (pelo menos um pouco, rsrsrs).
Hoje foi mais um dia como tantos outros que talvez motivaram essa escrita sem absoluto objetivo.
Foi um dia em que as coisas vão mudar, ou terão que mudar.
Estou HOMESICKNESS.
E esse blog claramente precisa de atualizações.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Você, seu carimbo e um paciente
Hoje só vou estudar mais tarde.
Sei lá, acho que preciso pensar um pouquinho nos últimos dias, nos últimos meses. Dando uma lidinha nesses textos “velhos” do blog, lembrei de uma história que já até parece “velha”, mas me foi contada há pouco tempo.
Um dia desses, um staff que eu não lembro quem, mas que deve ser alguém legal (afinal se não fosse, eu não lembraria do que ele falou), disse que a melhor época da vida de médico era ser interno, que depois tudo ia ser muito solitário, “só você, seu carimbo e um doente querendo saber o que tem”.
Vai ver ele tem mesmo muita razão. Não faz muito, só pra ser do contra, ou por acreditar até demais em coisas além do céu e da terra, rsrsrs, fiquei sozinha na clínica médica. Não completamente, mas em alguns aspectos mais que completamente sozinha. Eu bati o pé e disse: esse hospital. Bati o outro e disse: esse serviço.
E eu fui sozinha...talvez porque eu queria provar pra mim que as coisas que eu acreditava estavam certas e que eu podia fazer do meu jeito...não sei porque...no começo, ah no começo foi incrivelmente surreal e divertido, mas claro, chegaram momentos que eu quis que as pessoas de antes estivessem mais pertinho.
Então outras pessoas foram aparecendo e aparecendo. Pessoas que eu não sabia o nome antes, mas que hoje eu sei onde estão pelo barulhinho dos passos chegando lá pelas 7:15h, pela letra da evolução ou pela mochila colorida colocada na ponta esquerda na cama do beliche perto da cortina.
O fato é que...a clínica médica está acabando e essas pessoas, que hoje são a minha nova definição de estar por perto, vão embora como as que estavam antes de certa forma foram e...vai chegar o último dia do serviço...vai chegar a última prescrição...o último plantão.
Não tem o que fazer...vai chegar e pronto. Por mais que eu quisesse continuar vendo todo mundo, todos os dias, simplesmente não vai dar. E ai...talvez eu encontre essas pessoas de novo, entrando em um hospital, vendo um paciente em comum, quem sabe...
Mas ah...quando estivermos só eu, meu carimbo e um paciente querendo saber o que tem, acho que essas pessoas de uma forma ou de outra vão estar no que eu vou dizer, na forma como eu vou pensar, no jeito que eu vou tratar. As pessoas que realmente importam, eu sei, vão estar, elas sempre vão estar, mesmo sem saber ou às vezes sem que eu mesma saiba....elas vão estar lá comigo.
Sei lá, acho que preciso pensar um pouquinho nos últimos dias, nos últimos meses. Dando uma lidinha nesses textos “velhos” do blog, lembrei de uma história que já até parece “velha”, mas me foi contada há pouco tempo.
Um dia desses, um staff que eu não lembro quem, mas que deve ser alguém legal (afinal se não fosse, eu não lembraria do que ele falou), disse que a melhor época da vida de médico era ser interno, que depois tudo ia ser muito solitário, “só você, seu carimbo e um doente querendo saber o que tem”.
Vai ver ele tem mesmo muita razão. Não faz muito, só pra ser do contra, ou por acreditar até demais em coisas além do céu e da terra, rsrsrs, fiquei sozinha na clínica médica. Não completamente, mas em alguns aspectos mais que completamente sozinha. Eu bati o pé e disse: esse hospital. Bati o outro e disse: esse serviço.
E eu fui sozinha...talvez porque eu queria provar pra mim que as coisas que eu acreditava estavam certas e que eu podia fazer do meu jeito...não sei porque...no começo, ah no começo foi incrivelmente surreal e divertido, mas claro, chegaram momentos que eu quis que as pessoas de antes estivessem mais pertinho.
Então outras pessoas foram aparecendo e aparecendo. Pessoas que eu não sabia o nome antes, mas que hoje eu sei onde estão pelo barulhinho dos passos chegando lá pelas 7:15h, pela letra da evolução ou pela mochila colorida colocada na ponta esquerda na cama do beliche perto da cortina.
O fato é que...a clínica médica está acabando e essas pessoas, que hoje são a minha nova definição de estar por perto, vão embora como as que estavam antes de certa forma foram e...vai chegar o último dia do serviço...vai chegar a última prescrição...o último plantão.
Não tem o que fazer...vai chegar e pronto. Por mais que eu quisesse continuar vendo todo mundo, todos os dias, simplesmente não vai dar. E ai...talvez eu encontre essas pessoas de novo, entrando em um hospital, vendo um paciente em comum, quem sabe...
Mas ah...quando estivermos só eu, meu carimbo e um paciente querendo saber o que tem, acho que essas pessoas de uma forma ou de outra vão estar no que eu vou dizer, na forma como eu vou pensar, no jeito que eu vou tratar. As pessoas que realmente importam, eu sei, vão estar, elas sempre vão estar, mesmo sem saber ou às vezes sem que eu mesma saiba....elas vão estar lá comigo.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pessoas e Casinhas
O que é certo e o que é errado?
Às vezes, tenho a impressão que todo mundo cria um método, involuntariamente, pra descobrir seus próprios certos e errados e que nunca pensa muito sobre isso.
Eu resolvi que eu quero/prefiro pensar sobre o meu método, como prefiro pensar sobre tantas outras coisas.
Ainda que não baseado em evidências...
As pessoas, eu e você, são como pequenas casinhas e dentro dessas casinhas existem livros imensos cheios de códigos secretos, que muitas vezes nem o próprio dono da casinha conhece até que alguém bata na porta e ameace a organização da rotina da casa.
E se eu e você somos casinhas, eu não posso entrar na sua e desrespeitar todas as regras ou te fazer infeliz no único lugar seguro do mundo...sua própria casa. Eu não posso desvalorizar o seu tempo, eu não posso por a prova a sua integridade, eu não posso ser displicente com seu sofá, sua sala, seu “carimbo” e principalmente eu devo tentar ler - mesmo que em silêncio e num cantinho bem escondido de você - seus livros pra saber o que pode fazer você se trancar no seu quarto e não querer mais argumentar comigo sobre assuntos além da sua calçada.
Ainda que por algum motivo eu quebre suas regras e mereça ficar no meio fio da sua porta da frente, saiba que eu só irei me importar com isso se eu tiver te dado, previamente - mesmo que você não tenha pedido, mesmo que você nem desconfie que tem - o direito de entrar na minha casa. Isso quer dizer que eu me importo com você, “simples assim” ou complexo assim.
E...se esse é “meu método”, meus pedidos de desculpas sempre...sempre...sempre, serão genuínos. Não deixarão de ser difíceis de ser pedidos, claro, mas seu te pedir será “simples assim” e complexo assim...como todas essas coisas que a gente não sabe porque, mas alteram a nossa casa a ponto de alterar o ciclo sono/vigília no melhor travesseiro do mundo.
Então...desculpa, tá bom?! Eu estou pedindo sinceramente. Eu estou pedindo de verdade.
Às vezes, tenho a impressão que todo mundo cria um método, involuntariamente, pra descobrir seus próprios certos e errados e que nunca pensa muito sobre isso.
Eu resolvi que eu quero/prefiro pensar sobre o meu método, como prefiro pensar sobre tantas outras coisas.
Ainda que não baseado em evidências...
As pessoas, eu e você, são como pequenas casinhas e dentro dessas casinhas existem livros imensos cheios de códigos secretos, que muitas vezes nem o próprio dono da casinha conhece até que alguém bata na porta e ameace a organização da rotina da casa.
E se eu e você somos casinhas, eu não posso entrar na sua e desrespeitar todas as regras ou te fazer infeliz no único lugar seguro do mundo...sua própria casa. Eu não posso desvalorizar o seu tempo, eu não posso por a prova a sua integridade, eu não posso ser displicente com seu sofá, sua sala, seu “carimbo” e principalmente eu devo tentar ler - mesmo que em silêncio e num cantinho bem escondido de você - seus livros pra saber o que pode fazer você se trancar no seu quarto e não querer mais argumentar comigo sobre assuntos além da sua calçada.
Ainda que por algum motivo eu quebre suas regras e mereça ficar no meio fio da sua porta da frente, saiba que eu só irei me importar com isso se eu tiver te dado, previamente - mesmo que você não tenha pedido, mesmo que você nem desconfie que tem - o direito de entrar na minha casa. Isso quer dizer que eu me importo com você, “simples assim” ou complexo assim.
E...se esse é “meu método”, meus pedidos de desculpas sempre...sempre...sempre, serão genuínos. Não deixarão de ser difíceis de ser pedidos, claro, mas seu te pedir será “simples assim” e complexo assim...como todas essas coisas que a gente não sabe porque, mas alteram a nossa casa a ponto de alterar o ciclo sono/vigília no melhor travesseiro do mundo.
Então...desculpa, tá bom?! Eu estou pedindo sinceramente. Eu estou pedindo de verdade.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O conhecimento e o significado
Meu conhecimento se preenche de forma emocional. Os meus significados definitivamente são emocionais. Para aprender eu preciso pegar, eu preciso sentir, eu preciso dar importância, eu preciso respeitar genuinamente quem me ensina.
E como é difícil encontrar alguém que você genuinamente respeita. Existem pessoas que se impõem porque você tem medo delas, pessoas que se valem de uma condição profissional hierárquica, pessoas que são academicistas ao extremo. E pessoas raríssimas que eu posso chamar pelo primeiro nome ou adicionar um Dr. ou Prof. sem que isso de fato importe, que não necessitam de titulações ou vocativos iniciais, pessoas nas quais eu simplesmente acredito e confio.
Ensinar alguma coisa a alguém...
Eu vou tentar fazer isso, escolhi tentar fazer isso. Tentar por respeito genuíno. Aliás é única forma que eu vejo como possível de ser tentada, porque é assim que eu aprendo, eu não conheço outra metodologia eficaz, eu não conheço outra forma de dizer a alguém como pegar em outra pessoa excluindo as questões emocionais que tudo isso envolve, eu não conheço uma forma de ser distante.
Eu não acho plausível ensinar alguém a fazer um exame físico desconsiderando toda a “mágica” e o temor disso. Apesar de fazer o que eu vou ensinar todos os dias, numa intensa e rápida rotina, eu lembro exatamente o que passava pela minha cabeça quando eu fiz minha primeira ausculta e não consegui distinguir nada, quando eu passei umas 4h tentando elaborar meu primeiro diagnóstico, quando eu tive que conviver com pessoas que achavam ser melhores ou maiores quando elas eram exatamente iguais a mim, uma aluna da semiologia médica para quem um hemograma configurava-se em um enorme mistério.
Ainda não sei a quem eu vou ensinar ou se vou ensinar realmente alguma coisa que não vai ser perder com o tempo, mas...nunca é desperdício tentar, certo?!
Ass: uma monitora idealista de Semiologia Médica, com planos de doutorado pós-residência médica.
E como é difícil encontrar alguém que você genuinamente respeita. Existem pessoas que se impõem porque você tem medo delas, pessoas que se valem de uma condição profissional hierárquica, pessoas que são academicistas ao extremo. E pessoas raríssimas que eu posso chamar pelo primeiro nome ou adicionar um Dr. ou Prof. sem que isso de fato importe, que não necessitam de titulações ou vocativos iniciais, pessoas nas quais eu simplesmente acredito e confio.
Ensinar alguma coisa a alguém...
Eu vou tentar fazer isso, escolhi tentar fazer isso. Tentar por respeito genuíno. Aliás é única forma que eu vejo como possível de ser tentada, porque é assim que eu aprendo, eu não conheço outra metodologia eficaz, eu não conheço outra forma de dizer a alguém como pegar em outra pessoa excluindo as questões emocionais que tudo isso envolve, eu não conheço uma forma de ser distante.
Eu não acho plausível ensinar alguém a fazer um exame físico desconsiderando toda a “mágica” e o temor disso. Apesar de fazer o que eu vou ensinar todos os dias, numa intensa e rápida rotina, eu lembro exatamente o que passava pela minha cabeça quando eu fiz minha primeira ausculta e não consegui distinguir nada, quando eu passei umas 4h tentando elaborar meu primeiro diagnóstico, quando eu tive que conviver com pessoas que achavam ser melhores ou maiores quando elas eram exatamente iguais a mim, uma aluna da semiologia médica para quem um hemograma configurava-se em um enorme mistério.
Ainda não sei a quem eu vou ensinar ou se vou ensinar realmente alguma coisa que não vai ser perder com o tempo, mas...nunca é desperdício tentar, certo?!
Ass: uma monitora idealista de Semiologia Médica, com planos de doutorado pós-residência médica.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Definitivamente Horrível.
Após breve pesquisa qualitativa de “n” duvidoso, mas com achados significativos (2 pessoas me falaram sentir o mesmo até depois da traumatologia), conclui:
O primeiro dia do segundo serviço de um interno é horrível.
Estou sem ferimentos (pelo menos superficiais). Meu murmúrio vesicular está presente. Sem febre, vômitos ou cefaléia. Mas mesmo assim aqui vai uma grande nota:
É horrível. Estou horrível. Me sinto horrível.
Um interno não tem suporte ou melhor ele não tem escudo. Lembro que 3 de janeiro minha preocupação era não saber nada. Hoje eu sei onde achar tudo, mas talvez não seja o que importa, talvez eu só não soubesse distinguir o que importava.
Há muito tempo, quando eu pensei seriamente em fazer outra coisa, pensei em pessoas e nas reclamações, na dor, nos traumas, em algum momento eu julguei que poderia viver escutando tudo isso sem maiores problemas.
Hoje não é horrível por isso, não é horrível pelas queixas.
Hoje não é horrível porque eu atendi um garoto que vai passar o resto da vida restrito ao leito com pessoas com medo dele ou porque a maioria dos pacientes do meu novo serviço vai morrer.
Hoje é horrível porque eu estou sem suporte. Hoje é horrível porque eu não sei se algum dia a minha confiança e a minha tranqüilidade vai depender exclusivamente de mim.
Hoje é horrível porque quando eu cheguei nessa “entidade” internato, eu não tinha construído nenhum escudo emocional, todas as minhas capas protetoras estavam em algum outro serviço ou outro hospital, então sem perceber eu deixei novas pessoas virarem minha proteção, meu perímetro de segurança, parte da minha versão pessoal da “teoria do apego”.
Hoje é horrível porque não tinha mais ninguém lá.
Não sai outra palavra, horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível.
Será que alguns internos/residentes são tão distantes porque ele não querem nunca mais se sentir assim?
Com saudade?
O primeiro dia do segundo serviço de um interno é horrível.
Estou sem ferimentos (pelo menos superficiais). Meu murmúrio vesicular está presente. Sem febre, vômitos ou cefaléia. Mas mesmo assim aqui vai uma grande nota:
É horrível. Estou horrível. Me sinto horrível.
Um interno não tem suporte ou melhor ele não tem escudo. Lembro que 3 de janeiro minha preocupação era não saber nada. Hoje eu sei onde achar tudo, mas talvez não seja o que importa, talvez eu só não soubesse distinguir o que importava.
Há muito tempo, quando eu pensei seriamente em fazer outra coisa, pensei em pessoas e nas reclamações, na dor, nos traumas, em algum momento eu julguei que poderia viver escutando tudo isso sem maiores problemas.
Hoje não é horrível por isso, não é horrível pelas queixas.
Hoje não é horrível porque eu atendi um garoto que vai passar o resto da vida restrito ao leito com pessoas com medo dele ou porque a maioria dos pacientes do meu novo serviço vai morrer.
Hoje é horrível porque eu estou sem suporte. Hoje é horrível porque eu não sei se algum dia a minha confiança e a minha tranqüilidade vai depender exclusivamente de mim.
Hoje é horrível porque quando eu cheguei nessa “entidade” internato, eu não tinha construído nenhum escudo emocional, todas as minhas capas protetoras estavam em algum outro serviço ou outro hospital, então sem perceber eu deixei novas pessoas virarem minha proteção, meu perímetro de segurança, parte da minha versão pessoal da “teoria do apego”.
Hoje é horrível porque não tinha mais ninguém lá.
Não sai outra palavra, horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível.
Será que alguns internos/residentes são tão distantes porque ele não querem nunca mais se sentir assim?
Com saudade?
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