Meu conhecimento se preenche de forma emocional. Os meus significados definitivamente são emocionais. Para aprender eu preciso pegar, eu preciso sentir, eu preciso dar importância, eu preciso respeitar genuinamente quem me ensina.
E como é difícil encontrar alguém que você genuinamente respeita. Existem pessoas que se impõem porque você tem medo delas, pessoas que se valem de uma condição profissional hierárquica, pessoas que são academicistas ao extremo. E pessoas raríssimas que eu posso chamar pelo primeiro nome ou adicionar um Dr. ou Prof. sem que isso de fato importe, que não necessitam de titulações ou vocativos iniciais, pessoas nas quais eu simplesmente acredito e confio.
Ensinar alguma coisa a alguém...
Eu vou tentar fazer isso, escolhi tentar fazer isso. Tentar por respeito genuíno. Aliás é única forma que eu vejo como possível de ser tentada, porque é assim que eu aprendo, eu não conheço outra metodologia eficaz, eu não conheço outra forma de dizer a alguém como pegar em outra pessoa excluindo as questões emocionais que tudo isso envolve, eu não conheço uma forma de ser distante.
Eu não acho plausível ensinar alguém a fazer um exame físico desconsiderando toda a “mágica” e o temor disso. Apesar de fazer o que eu vou ensinar todos os dias, numa intensa e rápida rotina, eu lembro exatamente o que passava pela minha cabeça quando eu fiz minha primeira ausculta e não consegui distinguir nada, quando eu passei umas 4h tentando elaborar meu primeiro diagnóstico, quando eu tive que conviver com pessoas que achavam ser melhores ou maiores quando elas eram exatamente iguais a mim, uma aluna da semiologia médica para quem um hemograma configurava-se em um enorme mistério.
Ainda não sei a quem eu vou ensinar ou se vou ensinar realmente alguma coisa que não vai ser perder com o tempo, mas...nunca é desperdício tentar, certo?!
Ass: uma monitora idealista de Semiologia Médica, com planos de doutorado pós-residência médica.
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Line, vc vai longe, moça ^^
ResponderExcluirTudo aquilo que aprendemos tem um gosto. Se é insosso ou ruim é porque, ou não presta, ou quem preparou a comida fez com má vontade. Para se ensinar, é preciso saber cozinhar. E eu penso cá com os meus botões que, para se exercer uma Medicina com M maiúsculo, é preciso saber tocar um instrumento, ou dançar, ou fazer poesia, ou contar estórias... Porque desenvolver um saber sem vida é o mesmo que "ariar" uma panela bonita todos os dias, sem nunca preparar com ela um banquete.