terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Definitivamente Horrível.

Após breve pesquisa qualitativa de “n” duvidoso, mas com achados significativos (2 pessoas me falaram sentir o mesmo até depois da traumatologia), conclui:

O primeiro dia do segundo serviço de um interno é horrível.

Estou sem ferimentos (pelo menos superficiais). Meu murmúrio vesicular está presente. Sem febre, vômitos ou cefaléia. Mas mesmo assim aqui vai uma grande nota:

É horrível. Estou horrível. Me sinto horrível.

Um interno não tem suporte ou melhor ele não tem escudo. Lembro que 3 de janeiro minha preocupação era não saber nada. Hoje eu sei onde achar tudo, mas talvez não seja o que importa, talvez eu só não soubesse distinguir o que importava.

Há muito tempo, quando eu pensei seriamente em fazer outra coisa, pensei em pessoas e nas reclamações, na dor, nos traumas, em algum momento eu julguei que poderia viver escutando tudo isso sem maiores problemas.

Hoje não é horrível por isso, não é horrível pelas queixas.

Hoje não é horrível porque eu atendi um garoto que vai passar o resto da vida restrito ao leito com pessoas com medo dele ou porque a maioria dos pacientes do meu novo serviço vai morrer.

Hoje é horrível porque eu estou sem suporte. Hoje é horrível porque eu não sei se algum dia a minha confiança e a minha tranqüilidade vai depender exclusivamente de mim.

Hoje é horrível porque quando eu cheguei nessa “entidade” internato, eu não tinha construído nenhum escudo emocional, todas as minhas capas protetoras estavam em algum outro serviço ou outro hospital, então sem perceber eu deixei novas pessoas virarem minha proteção, meu perímetro de segurança, parte da minha versão pessoal da “teoria do apego”.

Hoje é horrível porque não tinha mais ninguém lá.

Não sai outra palavra, horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível horrível.

Será que alguns internos/residentes são tão distantes porque ele não querem nunca mais se sentir assim?

Com saudade?

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