Hoje só vou estudar mais tarde.
Sei lá, acho que preciso pensar um pouquinho nos últimos dias, nos últimos meses. Dando uma lidinha nesses textos “velhos” do blog, lembrei de uma história que já até parece “velha”, mas me foi contada há pouco tempo.
Um dia desses, um staff que eu não lembro quem, mas que deve ser alguém legal (afinal se não fosse, eu não lembraria do que ele falou), disse que a melhor época da vida de médico era ser interno, que depois tudo ia ser muito solitário, “só você, seu carimbo e um doente querendo saber o que tem”.
Vai ver ele tem mesmo muita razão. Não faz muito, só pra ser do contra, ou por acreditar até demais em coisas além do céu e da terra, rsrsrs, fiquei sozinha na clínica médica. Não completamente, mas em alguns aspectos mais que completamente sozinha. Eu bati o pé e disse: esse hospital. Bati o outro e disse: esse serviço.
E eu fui sozinha...talvez porque eu queria provar pra mim que as coisas que eu acreditava estavam certas e que eu podia fazer do meu jeito...não sei porque...no começo, ah no começo foi incrivelmente surreal e divertido, mas claro, chegaram momentos que eu quis que as pessoas de antes estivessem mais pertinho.
Então outras pessoas foram aparecendo e aparecendo. Pessoas que eu não sabia o nome antes, mas que hoje eu sei onde estão pelo barulhinho dos passos chegando lá pelas 7:15h, pela letra da evolução ou pela mochila colorida colocada na ponta esquerda na cama do beliche perto da cortina.
O fato é que...a clínica médica está acabando e essas pessoas, que hoje são a minha nova definição de estar por perto, vão embora como as que estavam antes de certa forma foram e...vai chegar o último dia do serviço...vai chegar a última prescrição...o último plantão.
Não tem o que fazer...vai chegar e pronto. Por mais que eu quisesse continuar vendo todo mundo, todos os dias, simplesmente não vai dar. E ai...talvez eu encontre essas pessoas de novo, entrando em um hospital, vendo um paciente em comum, quem sabe...
Mas ah...quando estivermos só eu, meu carimbo e um paciente querendo saber o que tem, acho que essas pessoas de uma forma ou de outra vão estar no que eu vou dizer, na forma como eu vou pensar, no jeito que eu vou tratar. As pessoas que realmente importam, eu sei, vão estar, elas sempre vão estar, mesmo sem saber ou às vezes sem que eu mesma saiba....elas vão estar lá comigo.
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Oi Aline, vi este post num blog de uma colega e me identifiquei bastante com suas palavras. Há 1 ano eu frequentava este mesmo corredor e compartilhava das mesmas sensações. As conversas nos cantinhos de prescrição, na sala da dona Angela ou mesmo na fila do almoço! Mas aí o internato vai acabando e aquela sensação de vazio vai nos dominando, sendo preenchida pelo medo crescente de que em breve seremos apenas eu, um carimbo e um paciente. Nem lembro quantas vezes comentei isso com meus colegas de internato. Mas aqui estou eu, vivendo isso e, de certa maneira, descobrindo que a sensação de solidão se deve principalmente a falta do conforto que nossos amigos nos proporcionavam. A vida é assim, e mais, a vida de médico é assim, sempre nos proporcionando novos desafios que por vezes enfrentaremos sozinhos, mas o que cultivamos no comecinho de nossa jornada estará para sempre fundida em nossa alma.
ResponderExcluirOi Bruno, obrigada pela leitura. Acabo de ver seu blog...e parece que nos identificamos novamente...há alguns anos sem atualizações. Mas uma hora...tudo volta.
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