terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pois, pois...

O caos está estabelecido novamente.

Como não poderia deixar de ser, a tragédia polariza a comédia ...e a comédia e a tragédia aportaram na turma A3 semana passada.

Teve choro e, às escondidas, acredito que muita vela. Se você acredita em misticismo, o santo baixou geral, com direito a pomba gira tomando chá com o preto veio do Iguatu.

Tudo começou em uma tarde de esperança: esperança que o professor chegasse antes das três, esperança de conseguir terminar duas consultas antes da cinco, esperança de pacientes amigáveis...mas o que era verde ficou cinza já no consultório 1, quando fomos confrontados com o temor de todo estudante de medicina: a afirmação que não sabemos um conteúdo.

Ainda que viremos noites (ou não), ainda que tentemos aprender apesar dos percalços do ensino médico que confunde modernidade com mofo de armário...não sabemos de nada, mesmo que saibamos infinitamente mais que ontem.

Nosso conta-gotas de conhecimento, alimentado com gotinhas de Harrison e Medcurso, é tão pequenininho que ainda que ele espichasse não daria para encher o copinho decorativo de desenho chinês de mentira que tem na mesinha de centro da minha sala.

Ok, todos nós sabemos disso, ok, não iremos querer admitir, pelo menos não em público, pelo menos não na frente de quem vive a ilusão da nossa genialidade e que acredita que temos uma solução, pelo menos não na frente de quem vê em nós esperança, não na frente dos nossos pacientes.

No fundo todos nós admitimos, todos nós sabemos e todos nós ficamos ciclotímicos dentro da FAMED. Então, a tragédia foi justificada?

Talvez sim, talvez não. E porque ficamos tão “sentidos”?

Não, não tem nada a ver com publicações de n’s infinitos, tem a ver com compreensão, tem a ver com buscar abrigo em quem deveria nos entender, porque vive e sempre vai viver enchendo pequenos conta-gotas como nós, que ainda somos crianças em desenvolvimento de personalidade. Tem a ver com tirar cores cinzas e milhares de nuvenzinhas das nossas cabeças...tem a ver com deixar a gente a achar que um dia tudo vai ficar verde. E que de fato vai dar certo.

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