quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Propriedade intelectual

O principal desafio do mundo acadêmico não é descobrir o que você quer estudar.
Não é descobrir o que você precisa para preencher as pendências de formação que tem.
Tampouco estruturação de writing acadêmico, formulação de metodologias adequadas, estatística e tudo isso.

O principal desafio é lidar com as expectativas sobre a sua propriedade intelectual.
Ainda que essa...ainda custe a existir,
Ainda que seu “talento” seja só uma grande aposta...

Essa disputa começa muito antes...
Ela começa com a escolha ou a imposição ocasional de um orientador.

Em um mundo ideal, você poderia escolher a pessoa que é mais bacana...
A que mais apoia suas idéias e entende suas necessidades,
mas falando a verdade isso deve acontecer em 1 a cada 100 teses de qualquer coisa já escrita.

No caminho até que seja determinada quem será essa figura misteriosa para você,
Muitas coisas interessantes, chatas e surreais irão acontecer.

Tenho encontrado alguns tipos interessantes e você certamente já viu muito deles andando por aí...

Já esbarrei com aqueles que nem sabem o que você quer, mas sabem muito bem o que eles querem: a posição dois na co-autoria de um artigo para o qual você ainda nem tem uma pergunta.

Já esbarrei com aqueles que nunca vão te dar liberdade de criação, ainda que esse seja um pré-requisito aparentemente óbvio para qualquer empreitada científica.
São daqueles que fizeram sua imagem às custas de mil pós-graduandos.
Contaram falsos segredos e venderam falsas promessas...têm mil artigos de usurpação intelectual cheios de descontentamentos e rancores revelados por ghost writers de ocasião.

Já “esbarrei” - por longos minutos - com aqueles que assistiam, já com uma certa passividade, a apresentações cheias de expectativas e falhas óbvias surgidas da necessidade de manter um segredo maior...esses parecem promissores, mas não tem mais paciência...perderam o brilho da ciência pela ciência...afogaram-se em milhares de combinações tão devastadoras subjetivamente que precisam de alguém pronto. Alguém com muito mais predicados do que eu.

Esbarro voluntariamente e recorrentemente em uma escolha de antes.
Talvez a escolha que eu sempre quis, mas que não pode mais ser.
É um outro momento, são outras expectativas. Diferentes necessidades.
Críticas que eu não vou mais saber tolerar ou enfrentar como eu deveria.
Meu orientador não deve saber tão bem quem eu sou.
Meu orientador não pode ser uma parte tão importante de mim.

Então entendo que eu talvez eu só precise de um esbarrão aleatório,
um caminho não pensado, um acaso.
Eu só preciso ter liberdade e ficar em paz.
Eu só preciso ter a exata medida da minha propriedade intelectual em todas as suas esferas.

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